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quinta-feira, 21 de maio de 2020

Estamos de volta


Hoje me peguei pensando que eu preciso fazer algo para contribuir com a astronomia, principalmente durante esse momento em que vivemos devido ao Covid-19. Pensei em mil maneiras não praticas de contribuição e acabei chegando a conclusão que fazer o simples é mil vezes melhor do que não fazer algo elaborado.



Lembrei-me deste blog que já estava quase mofando e puxa vida! JÁ FAZEM QUASE TRÊS ANOS DESDE MINHA ULTIMA POSTAGEM!

Muita coisa mudou de lá pra cá e muita coisa boa aconteceu também. Bom a começar pelo apartamento, deu tudo certo certo! Temos uma vista incrível e por muitas vezes não preciso descer para a área externa para fotografar, faço tudo direto da janela hahahaha.
Por falar em fotografar, essa foi uma das grandes maravilhas que aconteceram na minha vida durante esse período. Tomei gosto pela fotografia de vez e a natureza sempre foi minha grande paixão, comecei a estudar fotografia e descobri que não conhecia nem 10% de fotografia, equipamentos, ferramentas e edição. Decidi aprender um pouco mais sobre, e decidi que seria hora de vez de monetizar essa minha paixão. Entre um ensaio e outro para familiares e amigos consegui vender o meu primeiro pacote e percebi o quão prazeroso é esse momento para todos: para mim e para a família fotografada. Através das minhas fotografias de natureza consegui chamar atenção para mais pessoas e fui me consolidando. Não é muito, pois tenho apenas os finais de semana de folga do meu outro empreendimento para fotografar, ainda assim, houve tempos em que eu não parava em casa nesses finais de semana. Esse foi o período de maior aprendizado e crescimento. A cada ensaio ou evento eu descobria uma dificuldade que eu tinha e logo já tratava de corrigir isso com estudos. Esses trabalhos me permitiram fazer um upgrade no meu equipamento. Adquiri uma Canon 80D e algumas lentes novas, como a 40mm 2.8 pancake. Ah, e minha T4i que era modificada para astrofotografia acabou indo para nas mãos de outro astrofotografo. Decidi vendê-la ao perceber que precisava ter uma câmera de backup, para caso acontecesse algum imprevisto com a 80D. Após a venda uma grata surpresa também, minha esposa que já demonstrava um certo gosto por fotografar decidiu me acompanhar, então ao invés de uma câmera mais simples, com ajuda dela partimos logo para uma Canon SL2 (um excelente custo-beneficio).


Outro grande acontecimento foi conhecer inicialmente o projeto Astronomia na Serra, com encontros na Serra do Rola Moça, onde havia sempre uma palestra e logo depois subíamos para a plataforma de observação. Através desse projeto, surgiu o grupo Astrofotografia na Serra, onde no mesmo local nos reunimos para fotografar o cosmos. Belas amizades surgiram e muita troca de informação legal ocorre durante os encontros, por vezes, aprendo mais em cinco minutos de conversa do que em duas horas vendo vídeos no youtube. A galera lá é fera!


Da esquerda para direita: Eu, Gleison Quintão, Marcelo Sales, (?), Eduardo Ziller e Filipe de Lima
Enquanto digito, estou percebendo como uma coisa vai puxando a outra. Acho que nunca parei pra pensar nesse "puxa-puxa" rsrs Mas foi através do grupo no whatsapp do Astrofotografia na Serra que conheci o professor Magela do CEFET-MG. Ele é professor do Campus Contagem (que fica de frente meu apartamento), e fiz uma foto muito marcante de um raio caindo bem na direção do prédio do campus, e ao compartilhar no grupo, de prontidão o professor Magela me chamou e após um bate papo pelo aplicativo, me convidou para ir lá conhecer a unidade.

A foto do Raio "caindo" bem na direção do campus, parece até que caiu exatamente sobre o prédio não é mesmo?




Professor Magela e Eu no telhado do campus, onde está sendo instalado um camera de monitoramento de Meteoros da Exoss


Que local incrível, me deu vontade de voltar a estudar hahahaha os poucos professores que conheci lá demonstraram um interesse tão grande quando tocamos no assunto astrofotografia que me senti realmente feliz em poder estar ali naquele momento.
Combinamos algumas palestras para os alunos e logo aconteceu, a primeira foi algo bem informal, uma prática bem direta onde eles já foram logo conhecendo a câmera e os ajustes necessários.

Fotos com os alunos no primeiro encontro.


No fim desse encontro fui convidado a participar do GEDAI (Grupos de Estudos e Divulgação de Astronomia Inter campi do CEFET-MG). Lembro que foi tudo muito rápido e logo já estávamos marcando uma palestra. Essa palestra em si foi muito legal, repassando aos alunos alguns conceitos de astrofotografia e consequentemente de astronomia, haviam até mesmo professores assistindo e foi bacana demais.



1º Palestra de Astrofotografia GEDAI 



Pouco depois ocorreu o encontro anual do GEDAI chamado "Jornada GEDAI", caramba aquilo era tudo muito novo pra mim, em poucos meses eu estava inserido novamente na comunidade estudantil e em meios a cara que sempre ouvi falar mas nunca havia conhecido pessoalmente. Na Jornada falei um pouco sobre o projeto que de astrofotografia no Campus Contagem, e também um pouco mais sobre astrofotografia em geral e tive o prazer de estar próximos a pessoas como Cristóvão Jacques, um dos grande nomes da astronomia brasileira e hoje um dos sócios do SONEAR, também logo após as palestras um bate papo excepcional com o professor Rodolfo Langhi. (Que dia!)


Apresentação dos projetos iniciados na unidade Contagem
Professor Rodrigo Langhi após um bate-papo breve sobre astrofotgrafia.

Depois disso conheci muito mais pessoas ligadas ao GEDAI como o Professor Léo Gabriel, Sidney Maia, Weber Feu e o grande Sérgio, além do talentosíssimos Julio Sardinha e o Warley lá do campus Timóteo.

Em outubro do ano passado (2019), durante a Semana C&T (Ciência e Tecnologia), ministrei mais uma palestra no CEFET, dessa vez com o tema "“Astrofotografia Amadora, fotografando o cosmos com equipamentos básicos”, onde demonstro o quanto a astrofotografia é democrática, podendo ser praticada até mesmo com Smartphone. Conceitos de fotografia e os principais tipos de astrofotografia também fizeram parte dessa troca de conhecimentos tão gratificante.



Cacete, parando pra ler aqui, foi coisa pra caramba hahahahahha

E pra fechar vamos ao que interessa mais: ASTROFOTOGRAFIA!
Bom, começando pelo setup, como já disse, vendi minha câmera modificada e comecei a usar minha 80D para fotografar o céu e como o apartamento aqui é enorme, se eu adquirisse algum setup grande, tenho certeza que minha esposa me colocaria pra fora então, decidi ir para a linha do setup compacto (e barato!). O primeiro passo foi procurar uma montagem equatorial num preço justo. É obvio que não encontrei nada usado com esse quesito, o pessoal até mesmo em equipamentos usados tem pesado a mão nos valores. Então decidi por uma EQ1, é uma montagem pequena e barata que para ser usada com câmera e lente, faz até bem o seu papel. Achei uma montagem usada em SP com um greika de 60mm, tentei comprar só a montagem mas o vendedor só vendia tudo junto. Ainda assim, paguei um bom preço e um pouco depois vendi o refrator a parte, então no fim das contas ficou bem barato essa montagem. O próximo passo foi motoriza-la, e para isso comprei no aliexpress aquele motor drive da Celestron com ajuste manual de velocidade. Tentei alguns "upgrades" nessa montagem mas o mais efetivo sem duvidas foi desmontar ela toda e remontar com graxa nova. Funcionou de forma bem melhor, sem duvidas!

E por ultimo um filtro CLS-CCD para poluição luminosa, que tem me trazido boas capturas quando as faço daqui do apartamento.

Então é isso, acho que não esqueci nada importante nesse período e caso me lembre, adiciono para vocês. Aos poucos vou fazendo uma postagem mais aprofundada sobre cada equipamento.

Fiquem a vontade para deixar nos comentários observações ou até mesmo alguma dúvida. Terei o maior prazer em respondê-la.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Construção do Pilar de observação Parte 2

Seguindo com o projeto do pilar de observação, acabei esbarrando em alguns "erros de projeto", que na verdade foram causados por falta de atenção minha. O primeiro foi quanto ao modo que a montagem ficariam encaixado no pilar. A eq5 possui uma parte central que vai abaixo do nivel do tripé melhorando a estabilidade e funciona como guia para ajuste de longitude. Acabei quebrando a cabeça sobre como eu iria fazer um encaixe para essa parte, e andando pela chacara do meu pai (que já é quase um ferro velho), me deparei com um disco de freio, que me parecia ser meio caminho andado, caso precisasse aumentar o furo central, e ao chegar em casa, uma bela surpresa: o disco encaixou perfeitamente.



Disco no estado em que encontrei


Teste com o encaixe da eq5


Disco depois de passar a escova de aço


Teste para ver a estabilidade

A partir daqui começaram alguns outros problemas. Percebi que a chapa de ferro deveria ser mais grossa e que a base do pilar também deveria ter um diametro maior para melhor estabilidade. O conjunto completo ficou mais alto do que planejei (outra falha por não medir antes) e depois do conjunto todo montado me atentei que o contrapeso fica pegando na chapa de ferro e que o conjunto todo vibra de forma consideravel, mas em contrapartida a vibração cessa com 3 ou 4 segundos. Vou tentar melhorar todo o conjunto ao longo desse mês, mas confesso que fiquei triste com esses erros que pra mi são primários. Faltou um estudo completo do projeto e das possibilidades de falha.

Por outro lado fiquei satisfeito com o custo do projeto, tudo ficou em torno de R$ 60,00, com cimento, chapas, barras roscadas e parafusos e uma broca de ferro. E o principal é que consegui fazer tudo sozinho, sem apelar para serralheiro ou algum tipo de serviço extra e grande parte do material como PVC, ferragem, disco de freio e outros materiais eu possuia aqui em casa ou na chacara.






Base superior mais baixa para melhorar estabilidade



Setup montado sobre o pilar

Ainda não decidi o que vai ser feito para melhorar a estabilidade, sugestões são bem vindas, mas de início farei alguns testes para ver como ele se comporta para astrofotografia 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Contrução do pilar de observação Parte 1

Essa semana dei inicio a um antigo plano de construir um pilar de observação na parte de baixo do quintal, pois apesar de na varanda ser mais pratico por estar perto de casa, qualquer coisa pra guardar o equipamento fica bem mais fácil, mas acabava perdendo boa parte do céu por conta do telhado da varanda e também por na região sul, ter um poste abençoado bem de frente. Outro ponto de vantagem do pilar fixo em relação ao tripé móvel é não precisar ficar fazendo alinhamento todo inicio de observação, mesmo marcando o chão com as posições dos pés isso sempre me tomava um certo tempo antes de realmente poder fazer algo. Acabei por escolher no quintal um local onde o poste de iluminação não atrapalhasse e fui salvo pelo pé de fruto conde que fica bem na frente do poste fazendo sombra.




A intenção era fazer uma base firme, então perfurei um tubulão com uns 90cm de profundidade e 15cm de diametro, não sei até então se essa seria uma profundidade ideal ou se foi rasa demais, ou até mesmo se não precisa ser tão fundo, fui pela intuição e optei por rebaixar a terra no entorno do furo pois ali também tera uma uma base quadrada de concreto que irá 15cm abaixo do nivel do chão, e mais 10 cm acima. Definidas as medidas, é hora de por a mão na massa. Fiz um concreto 2x1, a cada duas latas de areia usei uma de cimento, eu deveria ter colocado brita para dar uma liga melhor, mas na pressa acabei fazendo sem. Foi preenchido 20cm do tubulão de massa com algumas pedras, e a partir dessa altura coloquei a massa e inicio da ferragem. O tubo de pvc partiu de uns 20cm abaixo do nível do chão e seguiu até a altura desejada com a armação de ferragem por dentro.
Na primeira vez que fazemos algo, só depois de algum processo é que percebemos que poderiamos ter facilitado essa etapa de alguma forma, por exemplo, na hora de preencher o concreto por dentro do pvc, este ficou sem firmeza (é claro, o concreto ainda estava totalmente mole rsrs) e vi que não conseguiria preencher ele todo pois acabaria caindo, então enchi só até uns 50cm de altura. Quando digo que poderia ter facilitado esta etapa, digo que seria muito mais fácil fazer um suporte de 3 ou 4 pontos de madeira para firmar o pvc no local desejado, mas no fim apesar do trabalho a mais sem necessidade, consegui manter na posição e no nível correto.


Local definido já perfurado, o tubulão ficou com 90cm de profundidade


Primeira etapa com concreto já virado no local

Detalhe da armação de ferragem já com a massa até metade do tubo

A etapa seguinte antes de concretar o restante do tubo era deixar pronto os parafusos que vão servir para encaixar a montagem, para isto usei 3 pedaços de 33cm de uma barra roscada 3/8, e para fixa-las no concreto e não saírem da posição, fiz um gabarito com um pedaço de madeira. Durante esse processo alguns amigos sugeriram que eu fizesse em uma tampa de pvc do mesmo tamanho do tubo, mas apesar de ser pratico porque o tamanho seria o mesmo, a pouca rigidez da tampa poderia atrapalhar na fixação deixando os parafusos tortos. abaixo as fotos do gabarito e restante do tubo e da base preenchido com concreto e parafusos acentados. Espero que em uma semana já esteja tudo seco e pronto para fixação da montagem.


Restante da base concretada e gabarito com parafusos acentados

Detalhe da posição dos parafusos

Segunda parte: Suporte para fixação da montagem.



Para acoplar a montagem ao pilar é preciso fazer uma adptação com duas chapas de ferro, parafusos e porcas. Fui a um ferro velho aqui em Belo Horizonte e de cara dei de frente com o que me serviria, duas chapas bastante enferrujadas, mas muito firmes apesar de não serem tão grossas, possuem cerca de 2mm. O dono do ferro velho me cobrou R$ 5,00 nas duas, o que já me agradou bastante. Tive algum trabalho para arrancar este ferrugem todo, mas uma escova de aço que se adapta à furadeira me poupou um bom tempo de serviço. E após a remoção de parte do ferrugem, foi aplicado um fundo anti-ferrugem e feito os furos. 


Chapas de 25x25 e 30x30 no estado em que comprei.

As duas aqui após um bom tempo sendo limpas com a escova de aço. Reparem no estado da bancada.



Fundo recém aplicado, e que após seco parece deixar a chapa mais grossa e mais firme.


Aqui as chapas já secas e devidamente furadas. A chapa de baixo irá ser fixada no pilar de concreto pelos três parafusos, e estes quatro parafusos em cada ponta irão funcionar como ajuste de altura para a chapa de cima ficar nivelada. O furo no centro será onde o barra roscada de 1/2 irá passar para fazer a união com a EQ5.




Ao longo dessa semana quando a massa estiver seca, continuo com o projeto e vou atualizando as informações. Nesse meio tempo, deverá chegar os componentes e o arduíno para fazer a guiagem.