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terça-feira, 26 de maio de 2020

Adaptando Laser Verde Para Uso na Tomada

                               

Um dos itens muito utilizados para a localização de objetos no céu noturno é o laser verde. Existem vários modelos, desde os mais simples de pilha até o mais sofisticados com bateria e chave liga/desliga. O modelo que possuo é desse mais simples, que comprei por 40 reais em um shopping popular e ele tem um grande problema de descarregar pilhas rapidamente, mesmo as alcalinas de boa qualidade acabam não durando mais do que 5 ou 6 observações, lembrando que sempre retiro as pilhas ao final de cada observação, caso contrário dependendo do tempo entre um uso e outro, já na segunda observação o feixe de luz fica extremamente fraco. 
Cansado de comprar pilhas resolvi fazer uma modificação nele, para que ele pudesse funcionar na tomada, com pilhas ou até mesmo com uma bateria de celular. 

As especificações do laser são:

Output Power: Min 2.5mW, Typical 3.0mW, Max 5.0mW 
Working current: Min 10mA, Typical 20mA, Max 25mA 
Working voltage: Min 2.3VDC, Typical 4.5VDC, Max 8.0VDC 
Wavelength: 650nm 
Working Temperature: Min -15°C, Typical 25°C, Max 35°C 
Storage Temperature: Min -20°C, Max +25°C

Ou seja, posso usar um carregador de celular sem risco de queimar o laser.

Ao desenroscar o compartimento de pilhas temos acesso a parte de alimentação do laser. A mola é entrada negativa e a borda interna, a positiva. 


Usei um cabo USB velho que tinha aqui onde removi a conexão USB mini e expus os fios internos. Aqui será importante para nós somente os fios vermelho e preto do cabo podendo isolar o restante. O fio vermelho é o positivo enquanto o negativo é o fio preto. Do outro lado, mantive a conexão USB A, de modo que eu possa usá-la em um carregador de celular. 
Daí em diante o processo é simples, com um ferro de solda solde os cabos nas polaridades respectivas (faça testes antes de fazer a solda para ver se o laser liga). 
Como a finalidade principal desse laser é usá-lo como um laser polar onde irei alinhá-lo com o eixo de ascensão reta da minha montagem EQ1 e com isso facilitar o alinhamento polar, irei descartar o compartimento de pilhas para que o laser tenha seu tamanho reduzido e evite esbarrões desnecessários. 

Inicialmente fiz somente a adaptação para o uso do laser com o carregador de celular, mas em breve montarei uma caixinha para o mesmo ser usado também com as terríveis pilhas ahahahaha e até mesmo com uma bateria. Para o uso com pilhas o processo é mais prático, já com a bateria, preciso montar um esquema para facilitar o recarregamento da mesma, mas creio que seja só questão de sentar e bolar um esquema sem muita firula.


O esquema para uso ficou dessa forma e assim que eu fizer a caixinha de pilhas e bateria compartilho com vocês. Aproveitei e já coloquei ela na montagem para testar e acabei até mesmo já alinhando com o eixo da montagem, inicialmente utilizei fita isolante que além de segurar já fazia a pressão no botão de liga/desliga e depois de alinhada usei durepoxi para dar firmeza e não correr o risco de num esbarrão ele se mover. A forma com que fiz isso fica para um próximo post. 



Ah e antes que me esqueça, use sempre o laser com muita cautela para não apontar para outras pessoas e também não apontar para aviões, pois além de crime pode causar acidentes. Evite também utilizar o laser a todo momento, principalmente em encontros de astrofotografia. Ninguém quer ter suas fotos com riscos verdes ao longo do céu como uma guerra de sabres de luz.   

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Primeiro teste com Lente Canon EF 75-300 f/4-5.6 II para Astrofotografia




Um novo equipamento ou a troca por um outro diferente traz consigo muitas mudanças, além do equipamento (claro). Confesso que quando possuía minha Nikon d3200 cheguei em um momento em que não sentia mais prazer em fotografar, ou melhor, astrofotografar. Achava que eu já tinha tirado o máximo dela e que eu não conseguiria tirar nada de melhor além do que eu já havia conseguido. É claro que eu estava errado, mas não digo que totalmente e explico mais pra frente o porque, mas foi justamente após vender a minha Nikon é que percebi o quanto ela poderia me oferecer e as inúmeras funções que eu sequer sabia que existiam nela, e funções essas que melhorariam muito minhas fotos do dia-a-dia. Em astrofotografia nem tanto, pois usava mais em foco direto no telescópio e essas funções não acrescentariam em nada nas imagens.

Quando digo que eu não estava totalmente errado quanto ao meu desleixo, digo isto pois ao adquirir minha primeira dslr percebi uma pequena, mas importante diferença entre Canon e Nikon: o preço das lentes.As lentes Nikon com motor para foco automático embutido custam quase o dobro de uma Canon com a mesma especificações idênticas, e um exemplo disto é a comparação entre uma 50mm EF 1.8 Canon e uma 50mm 1.8 af-s Nikkor, enquanto uma nova no mercado livre custa 450 reais a outra custa 845 reais, respectivamente. Esse preço alto em lentes comuns me permitiu adquirir apenas um 35mm 1.8 e uma lente antiga 28-90mm 2.8 com foco manual. E como havia dito no principio, a mudança ou aquisição de novos equipamentos sempre traz aquela euforia, a vontade de testar tudo, de ver tudo com novos olhos, planejar durante o dia o que irá fazer e por a mão na massa a todo instante possível.


E isto aconteceu ao adquirir minha T4i e está novamente acontecendo agora que comprei minha primeira lente canon, um 75-300mm com abertura de f/4 na menor distancia focal e f/5.6 em 300mm. Não é nenhuma lente prime, pelo contrario, até onde li é uma das lentes zoom mais simples da linha mas me agradou bastante para fotos diárias. Como é bom poder voltar a fotografar aviões e pássaros a distância, com qualidade. Fazia isso com o refletor de 150/750mm da SkyWatcher, que me proporcionava cerca de 1º de visão, permitindo bons detalhes em objetos bem distantes, e agora tenho essa oportunidade novamente, que apesar de proporcionar o campo 5x maior que o telescópio, tem a vantagem de ser leve, portátil e ainda a facilidade com o foco automático ou mesmo o manual com o ajuste fino bem na ponta dos dedos.

Anu Preto no fim de tarde pela T4i e lente em 300mm

Após me divertir bastante com as possibilidades de fotos diurnas, resolvi fazer alguns testes sem muitas expectativas do céu noturno. O alvo foi a região de eta carinae, para que além da lente eu pudesse testar o principal diferencial da minha câmera, que é a modificação para astrofotografia que me permite maiores detalhes principalmente em nebulosas. Após montar tudo e configurar o intervalômetro com 5 segundos de exposição para que as estrelas não criassem rastros por conta do tripé fixo, consegui um amontoado de fotos para fazer o empilhamento e pós processamento. Somente após fazer o backup do cartão de memória percebi que esqueci de mudar o formato das imagens para raw, e acabou ficando tudo em jpeg mesmo hahahahaha confesso que sou bem voado.

Frame único da sessão de registros

No fim das contas, no tempo em que eu deixei a câmera registrando tudo sozinha no quintal e fui jantar, o céu aproveitou e resolveu fechar. Dos mais de 340 frames, só aproveitei 72 sem nuvens e ainda assim com um monte de riscos de satélites cortando o campo da fotos. Por sorte ainda assim consegui um bom resultado no empilhamento e devo confessar que a lente me surpreendeu. Pensei que iria  conseguir apenas alguns poucos detalhes no Aglomerado Aberto próximo de Eta Carinae, mas foi muito além disso, revelando muitos detalhes da nebulosa e da região no entorno. É claro que nem tudo são flores, as estrelas ficaram com um pouco de aberração cromática como eu já esperava, mas creio que isso seja resolvido fechando o diafragma da lente e jogando por volta de f/7.1 ou até mesmo f/8.0, mas só poderei fazer isso em uma montagem motorizada, para que a baixa abertura da lente possa ser compensada com exposições maiores. Abaixo o resultado final após o pós processamento no photoshop, com 5:05 minutos de exposição total e o iso de 6400 absurdamente alto rsrs